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28/03/2017 14:03h - Atualizado em 28/03/2017 14:18h

Reforma de previdência: a espera da morte

Por *Carlos Alberto Alves

O governo federal patrocina a tramitação na Câmara dos Deputados da PEC 287, que  trata da reforma da previdência. Na verdade o que vai acontecer se esta reforma passar é o aniquilamento da possibilidade de alguém usufruir de aposentadoria, depois de contribuir por anos a fio para o sistema.

A idade mínima colocada, 65 anos,  se altera para muito mais que isso quando alguém quiser se aposentar com a contribuição que fez ao longo da vida. E é bom levar em conta que o sistema de previdência é financiado por outras fontes como confins, pis/pasep, csl  e loterias e nem assim o governo é capaz de gerir uma previdência sustentável, segundo preconiza.

Há os que apontam em rumo contrário e que afirmam de modo categórico que o sistema brasileiro é superavitário.

Essa discussão foge ao alcance da grande maioria. O que interessa para quem grita na rua é o respeito que o Estado deve aos seus velhos e que, com a força de seus braços e inteligência, ajudaram - e ajudam- a formar o País.

Nossos políticos precisam ter sensibilidade para esta situação. Não se pode admitir que se mexa em direitos, sem que haja contrapartida e compensação.  ´

E indigno que deputados, que têm benesses de programas de aposentadorias próprios, não se coloquem no lugar da grande massa que tem seus salários achatados, corte de direitos como férias e 13º  e agora avancem sobre a aposentadoria desse povo que só paga impostos e pouco retorno têm naquilo que lhe garante saúde melhor, educação, moradia e emprego.

Não é difícil imaginar quais as apostas que muitos parlamentares estão fazendo agora.  De certo pensam que as barganhas que fazem nesse momento compensará o desgaste que sofrem momentaneamente por votarem a favor da reforma. E podem ser que tenham razão.

Mas não é disto que se trata. Trata-se do respeito que o cidadão merece por confiar na postura pública de cada um que veio lhe pedir o voto.  Que lhe jurou defender seus interesses e propôs defender a dignidade de todos.

O eleitor quer agora que o parlamentar que o assediou na hora da eleição se posicione em favor do que sabe que vai interferir no que lhe resta de vida: a tranquilidade de ter pelo menos os recursos para comprar seus remédios, já que não dá mesmo, até no sistema atual, para sonhar com algo mais.

O que todos esperam de cada deputado é que não vendam a alma dos que estão próximos da aposentadoria em trocar de favores, benefícios e vantagens que não passarão de quatro anos, enquanto o direito a aposentadoria perpassa uma vida toda dedicada a construir uma família, uma comunidade, um Estado e um País, porque essa reforma da previdência não  é um brinde ao final de vida digna, mas a ante sala de uma morte anunciada sem dignidade.

*Carlos Alberto Alvesé engenheiro por formação e jornalista por opção