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14/11/2016 12:13h - Atualizado em 14/11/2016 12:15h

O Mundo com Trump

Por *Carlos Alberto Alves

Uma semana depois de sua eleição, Donald Trump vestiu a roupa da conciliação e jura que vai governar para todos os americanos. O  problema enfrentado por ele é que o eleitorado que votou contra suas posições defende-las nas ruas. Se, por um lado, o colégio eleitoral confere autoridade para que implante seu projeto político, xenófobo, conservador quanto a aspectos da economia e delirante quando resolve apelar para o marketing político, por outro a votação popular recomenda cautela na hora de imprimir tais politicas, tendo em viste que Hillary ganhou nos votos, com pouco mais de 300 mil votos de frente, passando da casa dos 60, 4 milhões de eleitores a seu favor.  É muito pouco, diga-se, mas mostra com eloquência, a divisão do País quanto a opção para quem pudesse dirigir o País.

Donald Trump ganhou as eleições na esteira de uma onda conservadora?  Temerario dizer que sim, mas importante ressaltar que ele venceu pelo medo que a classe média americana, aquela com nível escolar médio, que depende do emprego, além de contar com o apoio de imigrantes legalizados (boa parte deles), que parecem ter dado o ímpeto de dar um tiro no pé.

Ele significa a liquidação do sonho da esquerda pelo mundo? A esquerda precisa se reinventar. Não é possível mais a dicotomia entre ser a favor dos pobres, demonizando os ricos. Mas o sonho da justiça social, construído na base do trabalho, não é contra os ricos, mas a favor de um mundo mais forte economicamente, que seja capaz de criar oportunidades para os que vivem na margem extrema da pobreza e que, até por uma questão de origem cultural,  entendem miséria de outra forma.

Então, Trump não liquida  o sonho de esquerda, mas abala os alicerces de um pensamento social, abalado, aqui no Brasil e em outras partes do mundo, por atos de corrupção  e desmandos.

E a reação – a reinvenção da rota – começa nas ruas, como estão fazendo nesse momento os americanos, que perderam a eleição, mas não querem perder a dignidade nem os direitos conquistados.

*Carlos Alberto Alves é engenheiro por formação e jornalista por opção