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27/10/2016 14:09h - Atualizado em 27/10/2016 14:42h

Lucro da Samsung despenca 30% devido ao fiasco do Galaxy Note 7

Empresa lucrou US$ 4,6 bilhões no terceiro trimestre de 2016.

Por France Presse
Um Note 7 aparentemente reparado pegou fogo em um avião da companhia Southwest na quarta-feira (Foto: Brian Green/BBC)
Um Note 7 aparentemente reparado pegou fogo em um avião da companhia Southwest na quarta-feira (Foto: Brian Green/BBC)

 
A Samsung anunciou nesta quinta-feira (27) que registrou queda de 30% no lucro do terceiro trimestre de 2016. O resultado já era esperado após o escândalo do Galaxy Note 7. No mesmo dia, J. Y. Lee, herdeiro da empresa, foi aceito na diretoria.
 
A maior fabricante de smartphones do planeta informou que o lucro operacional entre julho e setembro foi de 5,2 trilhões de wons (US$ 4,6 bilhões), contra 7,3 trilhões de wons no terceiro trimestre do ano passado.
 
Mudança de geração
 
O resultado foi publicado poucas horas antes da reunião extraordinária de investidores em que acionistas aprovaram a nomeação de J. Y. Lee para a diretoria de nove membros. J. Y. Lee surge como o herdeiro mais provável da empresa sul-coreana, após seu pai, Lee Kun-Hee, presidente da Samsung Electronics e da matriz Samsung Group, ter enfrentado uma crise cardíaca em 2014.
 
A mudança de geração em uma empresa que é um símbolo na Coreia do Sul deve ser complexa. "Agora podemos dizer que o regime de Lee começou de maneira oficial", afirmou Lee Chaiwon, diretor de investimentos do fundo Korea Value Asset Management Co.
 
"Acredito que vem uma nova era. A empresa deve ficar um pouco mais amigável para os mercados", disse Lee à agência Bloomberg News.
 
O efeito Galaxy Note 7
 
A queda do lucro está em linha com as revisões das projeções de rendimento anunciada pela Samsung há duas semanas, após o escândalo que provocou a retirada do mercado do Galaxy Note 7.
 
Depois de relatos de que a bateria do aparelho superaquecia e até explodia, a Samsung anunciou um recall de 2,5 milhões de unidades do modelo Galaxy Note 7 no mês passado. A decisão de suspender a produção de um modelo imaginado para competir com a rival Apple foi devastadora.
 
O fiasco provocou uma queda gigantesca nos resultados da divisão mobile, que registrou uma baixa de 98% no lucro no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, a 100 bilhões de wons.
 
O impacto do escândalo das baterias explosivas no valor da marca do gigante da eletrônica ainda não pode ser quantificado, mas a Samsung já advertiu que nos próximos dois trimestres pode registrar uma queda no lucro de US$ 3 bilhões.
 
Impacto
 
A perda de prestígio da marca pode ser simbolizada pelo processo coletivo, com adesão de milhares de consumidores, pelo fiasco do Galaxy Note 7, difícil de administrar em uma empresa acostumada a ser tratada como a joia da coroa na Coreia do Sul.
 
A Samsung representa 17% do PIB do país e a crise teve um forte impacto na economia sul-coreana, o que obrigou o Banco Central a ajustar suas projeções de crescimento. Mas o dia não foi apenas de notícias ruins para a Samsung, já que a divisão de monitores e chips registrou um bom resultado.
 
O lucro operacional para a divisão de semicondutores foi de 3,37 trilhões de wons, uma alta de 28% na comparação com o trimestre anterior.