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27/10/2016 09:30h - Atualizado em 27/10/2016 09:32h

Governo de intenções

Por *Carlos Alberto Alves

Tem repercutido na imprensa local diversas iniciativas do prefeito eleito Renatinho Ourives. Todas elas dão notícias de ações promissoras do futuro governo e tentam marcar posição diferenciada da atual gestão. A última mostra o prefeito com seu vice e  parte da equipe de transição, em encontro com a direção da Santa Casa e joga esperança sobre agilização no atendimento de urgência  e emergência e de zerar o déficit da enorme fila das cirurgias eletivas (tem gente esperando há cinco anos).

No fim do túnel, levemente, surge o que parece ser a razão principal do encontro: o diretor da Santa Casa cita que o SUS ocupa 72% das atenções do hospital e, por isto, a instituição merece mais atenção do município.

Por trás da lembrança de que o SUS é o grande Plano de Saúde do País, financiado com dinheiro público, ou seja, com o dinheiro de todos nós, esconde-se a fala de que este dinheiro não financia algo do porte da Santa Casa de Misericórdia de Passos que, no entanto cresceu à sombra desses  recursos, incluindo a instalação e o funcionamento do Hospital Regional do Câncer e, até mesmo, alguns procedimentos do hospital do Coração.

Nada contra.

Mas é um pecado numa hora de extrema dificuldade porque passa o povo, os habilidosos gestores da Santa Casa envolverem o prefeito eleito num canto da sereia de altíssimo volume e jogar no seu caminho, já com muito espinho, a casca de banana em que escorregará inevitavelmente.

Renatinho pensa estar antecipando etapas, raciocina que poderá acusar o atual prefeito pela falta de recursos que vai impedi-lo de acertar as contas com Santa Casa (no fim e ao cabo o que aconteceu de fato foi a cobrança de uma divida que o município tem com o município) e assim ser compreendido pelo povo. Ledo engano.

Na área de saúde o prefeito de direito, mas ainda não de fato, precisa é descer do palanque, porque a eleição ele já ganhou, e buscar de formas para pôr para funcional o PSF do Nossa Senhora, como conseguir recursos para concluir os dois que estão com as obras paradas e para o término do hospital da mulher e como fará para construir e colocar para atender a população os 12 PSF’s prometidos.

Se continuar nessa senda de fazer pirotecnia para o povo assistir Renatinho pode estar antecipando o fim de sua lua de mel com a população, que é o prazo de compreensão que o eleitor dá ao recém eleito, e encontrando mais cedo que possa imaginar o fel que pode vir a marcar sua gestão. Mas de toda forma o prefeito eleito pode estar aprendendo – ou vai aprender – que não se governa por intenções.

*Carlos Alberto Alves é engenheiro por formação e jornalista por opção