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06/12/2013 14:26h - Atualizado em 06/12/2013 14:27h

CRISE E EMPREGO NA USINA

Por Carlos Alberto Alves

A cidade de Passos e a região têm acompanhado com intranquilidade o que vem ocorrendo na Usina Açucareira de Passos, quando cerca de 400 trabalhadores foram demitidos, alguns com mais de 30 anos de casa, sem que acertos legais fossem feitos junto aos sindicatos da categoria.

É um susto que a comunidade leva já que economicamente, mesmo em crise, a empresa é importante para a sustentação da economia local. Ainda há que se levar em conta que ela arrendar extensa área para o plantio da cana e adquire produtos e serviços variados no comércio local. E, como disse na reunião da câmara Eduardo Bedin, a empresa deve a eles também, que, ainda segundo o diretor adjunto de suprimentos, têm colaborado para que a usina continue operando.

O cenário mostrado na reunião com vereadores e sindicalistas preocupa. A crise da usina já fez com ela beirasse a falência pelo menos três vezes. “Isto já está mais distante hoje”, disse Eduardo, sem descartar a hipótese, reforçada pela decisão de só fazer o acerto dos operários demitidos na justiça.

É certo que os sindicatos estão tentando cumprir com o seu papel de cobrar o que é devido aos trabalhadores. Também é necessário levar em conta que o prioritário é colocar recursos nas mãos dos trabalhadores, mas se eles continuarem sendo tratados com a desconsideração até agora demonstrada pela Usina, não vai demorar muito para que saiam as ruas, primeiro para se manifestar, depois para o que vier de ações que serão batizadas de badernas, mas que no fundo expressam o desespero de não ter como dar de comer a filhos, esposas, pagar aluguel, luz, água e farmácia.

A crise da Usina é grave e exige das autoridades algo mais que dizer que os sindicatos estão fazendo o que é preciso. É preciso sensibilidade para evitar o caos. A usina pode até não fechar, mas as portas estão definitivamente fechadas para estes 400 trabalhadores jogados na rua e a mercê de sua malfadada sorte, porque seus empregos já foram substituídos por 11 colhedeiras  mecanizadas de cana.

O que a Câmara Municipal fez ao reunir as partes, precisa ser feita com intensidade maior na busca de alternativas econômicas para agregar essa mão de obra ociosa e, portanto, com o risco de cair na marginalidade, já que está ao alcance de jovens o jeito “fácil” de ganhar dinheiro com o tráfico de drogas, tão sedutor aos incautos jovens sem perspectiva.

A prefeitura não pode se ater à sua rotina. Ela está obrigada a buscar caminhos de inserção social, porque senão não tardarão os círculos de debates para analisar a violência, forma de enjaular menores e toda uma prosa que não leva nada.

O que resolve é oferecer educação, cursos superiores gratuitos e a criação de oportunidades de empregos, seja atraindo investimentos industriais, seja estimulado os Arranjos Produtivos Locais, como a industrialização do leite, da confecção, móveis e diversificação da produção.

A luz amarela, a competência para torna-la verde, no lugar da vermelha, só é dos gestores municipais, de quem se espera atitude concreta no enfrentamento do problema que está batendo à porta.

 

*Carlos Alberto Alves é engenheiro civil por formação e jornalista por opção.