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12/02/2019 13:06h - Atualizado em 12/02/2019 13:10h

Em pronunciamento na Câmara, Belinha defende indicação de apadrinhado a cargo

Por Carlos Alberto Alves

O primeiro pronunciamento do grande expediente de ontem (11/02), segunda-feira, na sessão ordinária, foi da vereadora Isabel Ribeiro (PP), Belinha. Ela usou 15 minutos de que tem  direito na tribuna livre para defender a indicação de Rodrigo Miranda ao cargo de assessor de bancada do PP. Rodrigo é namorado de uma das filhas de Isabel Ribeiro.   Hoje o assessor de bancada é Renato Lessa, que foi mantido pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (PP), enquanto que o indicado pela Belinha teve essa indicação indeferida por Rodrigo Maia.

Tanto a vereadora, como o presidente da casa, são do mesmo partido, o PP. O caso foi parar na coluna Informe do jornal Folha da Manhã. O colunista  ironizou a situação e registrou que  casos assim “só acontecem  em Sucupira, Londres e Passos”, pelo  inusitado da situação, de dois vereadores do mesmo partido, estarem se indispondo pela indicação de um assessor.

A vereadora Belinha ficou tão indignada que subiu à tribuna para justificar a nomeação e se defender de “muitos comentários”  feitos envolvendo o nome dela durante “essa semana”.

Ela informou que subia à tribuna para esclarecer aos que  acompanham a sessão pela internet e para os que estão circulando “notinhas falsas e mentirosas”. Para ela “estamos diante de um fato em que conversa de bastidores são jogadas em redes sociais e a imprensa divulga, como fez a Folha da Manhã”, para em seguida afirmar que “até então um jornal considerado sério, mas que para mim não tem seriedade nenhuma”, justificando que o jornal é corresponsável pelo que sai em suas páginas, e quando se coloca “uma mentira” e isso leva a  “quem está lendo a condição de colocar em dúvida a moral, a honra, a dignidade, o trabalho de outras pessoas aí já vira um caso de polícia”, assinalou.

No discurso ela mencionou jornalista, radialista e a própria assessoria da casa, como os responsáveis para fazer a noticia chegar ao cidadão. “Mas que saudade da informação que chegava de forma correta”. 

Para passar o que ela considera como notícia verdadeira e não as que foram transmitidas por  “jornal de quinta categoria”, citando mais uma vez a Folha da Manha, ela fez questionamento a Rodrigo Miranda, que já foi assessor de bancada do PP, de 2015 a 2017, quando era presidente João Resende  e Belinha líder do partido, cargo que ocupa hoje novamente. Indagando se ele era casado com a filha dela. Ele disse que não, apenas namorado.  Belinha quis esclarecer com  isso que Rodrigo não era genro dela, o que ocorreria se fosse casado com sua filha. 

A reportagem procurou o diretor da Folha da Manhã, Carlos Parreira, para saber dele se gostaria de se pronunciar pelas qualificações  que a vereadora fez ao jornal. “Não tenho interesse”, disse afirmando em seguida que antes de se pronunciar iria “aguardar  decisão da justiça”, concluiu. Como se sabe Isabel  Ribeiro buscou garantir a nomeação de apadrinhado político na justiça  e que  isto foi noticiado  na coluna informe da Folha da Manhã.  A defesa foi noticiada como  estando a cargo da Campos e Campos advogados,  empresa que tem escritório em Passos, mas é de BH, que na cidade é dirigida por Taliane Cardoso, filha do presidente do PR, Wanilton Chagas Cardoso.

Da tribuna  Belinha desmentiu que a defesa esteja sendo  feita pelo escritório Campos e Campos, mas pelo advogado Lucas Tavares Mourão. A reportagem apurou que  Tavares atua como Advogado da  Margotti Mourão Advocacia e da Campos e Campos Advogados.

 

Não satisfeita em expor Rodrigo Miranda, que tem ligação politica com Belinha, ela questionou a filha: “Karina você já casou com Rodrigo?”.  Da filha a resposta foi a mesma a de Rodrigo, como só poderia ser: “não”.

A partir daí  Belinha misturou alhos com bugalhos e defendeu por exemplo que o namoro entre servidores e filhos e filhas de político é legítimo e não há lei que impeça. 

De forma veemente defendeu sua trajetória política e afirmou que entrou na justiça por considerar que defendia o “que me convinha”.

Criticou o vereador Erick Silveira e sua namorada Priscila, conhecida como Prisca por terem compartilhado o assunto em redes sociais.

Rodrigo Maia rebate

Da mesa diretora, antes de  dar continuidade, disse que iria fazer algumas considerações para que “a população não fique sem um parâmetro”. Falando como presidente da casa, Rodrigo Maia disse “que todas as decisões que tomei foram pautadas no Regimento interno, resoluções  na lei”, afirmou. 

Ele garante que a  questão da indicação não é expressa no regimento nem na lei que determina cargos e  salários da Câmara Municipal. “A decisão de continuar com Renato Lessa como assessor de bancada do PP,  foi tomada junto ao partido”.  

Para Maia este é o caminho correto para esta situação. “Não  foi uma decisão isolada desse presidente ou uma  decisão arbitrária”, afirmou. “Não existe no regimento ou na lei, que assessor de bancada é indicação do líder”.

O vereador Rodrigo Maia, que é advogado, disse que reconhece o direito de Belinha de recorrer à justiça e que a decisão final será acatada.

Faltou diálogo

O Correio do Vale do Rio Grande entrou em contato com o presidente do PP em Passos, o empresário do setor moveleiro, Ademir José da Silva. Ele disse que o partido passou por esta situação. “Sempre há consenso e aí o líder da bancada indica o assessor da bancada”, disse, cabendo a cada vereador indicar o seu.

“Sempre houve consenso. Desta vez um pequeno desajuste, porque o vereador Rodrigo Maia pensava continuar com o Renato Lessa – que tem feito um trabalho muito bom – e a Belinha alega que tinha um acordo com o Rodrigo Maia pelo qual indicaria o assessor da bancada”,  revelou.  “Mas a gente acha que ela precipitou um pouco de ter entrado na justiça”,  afirma Ademir.

O caminho para resolver a situação, na avaliação do presidente do PP, Ademir José, “é reunir o partido,  os dois vereadores, tomar pé da situação – só sabemos das coisas por notícia de jornal – e aí passar uma informação segura para vocês (imprensa)”, conclui.

Opinião

Revelando caráter

 

Esta briga uterina pela nomeação do cargo de assessor de bancada do  PP revela um pouco o caráter dos envolvidos e deixa claro que se há diferença de caráter entre os envolvidos , não há nenhuma quando se trata do que cada um pensa que é direito seu no quinhão na nomeação de apadrinhados.

O costume, ao que parece, fez a boca torta.

É certo que os partidos trabalham para assumir o poder e empodeirados  colocarem em prática o que pensam ser o melhor para seus eleitores.

Nem é preciso dizer que não é isto que a gente acompanha no dia a dia. Basta ver o descaso com que governantes de diferentes esferas, numa reação em cadeia, tratam as pessoas incluindo os servidores.

Mas essa luta surda pelo assessor de bancada aqui em Passos exacerba qualquer outra.

A vereadora Belinha trouxe à luz, para demonstrar a todos, o quanto vale um nome de indicação deles, que detém cargos públicos, desde os políticos tenham bastante proximidade com os ditos cujos.

O que vale de verdade é: quantos votos essa nomeação pode render,  o quanto é benéfica para o grupo,  o quanto o indicado vai ganhar e qual a proximidade que ele tem com o indicador.

Ninguém pensa na competência, no serviço que eles podem prestar ao povo, que, afinal, paga o salário de todos.

A vereadora Belinha tem uma biografia interessante em termos de serviços prestados aos eleitores, mas não escapa da mancha do clientelismo, do nepotismo (essa não é apenas uma questão de enquadramento, mas também moral, então indicar o namorado da filha é nepotismo, se olharmos  para o aspecto moral).

Fora isso corre a boca pequena que outros cargos - muitos dizem – são de indicação dela.  Não importa se é verdadeiro ou não, o caso assessor de bancada do PP  e a luta que trava  para garantir a indicação, dá razão aos que falam que Belinha tem essa prática.

Rodrigo Maia tem se mostrado na presidência alguém preocupado com o empreguismo, com  a casa inchada de nomes, ocupando vagas inexistentes e retirando recursos da saúde, da operação tapa-buracos e de investimentos extras da educação, mas não escapa a tentação de participar dessa quirela em torno de nomeação, isto pelo menos é o que ficou registrado no caso dessa indicação.

Seria importante que abrissem os olhos, todos eles, para o que espera deles a população, porque têm tempo para isso e a comunidade espera melhores ações do que valentia em torno de picuinhas.

Isso não leva a nada, a não ser um provável julgamento  vindo das urnas e que pode ser, mais provavelmente, a derrota eleitoral. (CAA)