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17/09/2018 10:01h - Atualizado em 17/09/2018 10:08h

Novo livro do poeta mineiro Petrônio Souza chega às livrarias

Por Pinheiro Júnior
Livro “Braço de Rio, Pedaço de Mar”
Livro “Braço de Rio, Pedaço de Mar”, Petrônio Souza Gonçalves

 

“Braço de Rio, Pedaço de Mar” é o terceiro livro de poesia que Petrônio Souza Gonçalves lança para felicidade geral da nação, sempre fiel ao difícil afazer poético, a um só tempo popular e de sutil profundidade. Se o anterior - "Um facho de sol como cachecol" -, que foi lançado em oito capitais e 38 cidades brasileiras maravilhou público e crítica, esse novo livro inscreve definitivamente o mineiro no trancado cenário literário nacional. Não bastassem elogios de Verissimo, Zuenir Ventura e Fernando Morais movendo-o aos picos dos maiores poetas de sua geração, Petrônio atualmente viaja o Brasil com um sarau de música e poesia com ninguém menos que o guitarrista Toninho Horta. O sarau de Petrônio e Toninho já passou por 23 cidades brasileiras e três capitais.

Escrito no correr dos últimos dois anos, "Braço de Rio, Pedaço de Mar" traz 237 poemas voltados à temática do tempo e das buscas e frustrações humanas. Como escreveu no prefácio do livro o sempiterno Aldir Blanc: “os trilhos que levam ao Poeta Petrônio estão nas palmas das mãos dos seres humanos que sofrem”.

Até o fechamento desta edição, o livro já havia recebido 19 convites para lançamento em cidades mineiras e quatro capitais brasileiras.

Reconhecimento da crítica

Além do prefácio assinado por Aldir, o livro traz ainda um depoimento de Ferreira Gullar, que dizia não gostar de fazer apresentação ou depoimentos para escritores e poetas. Falecido em 2016, Ferreira foi amigo de Petrônio, que sempre o visitava em seu apartamento no Rio de Janeiro. O depoimento de Gullar talvez tenha sido, mais que uma exceção, um dos últimos textos do maranhense e que ainda estava inédito. Outros que falaram bem de Petrônio foram Sebastião Nery, Aristóteles Drummond e José Hamilton Ribeiro, além de Toninho Horta, Paulo Betti, Tostão, cronista post-futeboler, e o imortal machadiano Geraldo Carneiro, que orelhou o livro de um lado; de outro lado a orelha é de Carlos Buzelim, do jornal  Hoje em Dia, de Minas. Escreveu ele: – “Escritor que surge e surpreende a literatura pátria. Conjuga as palavras harmoniosamente, semelhantes às partituras musicais de plenitude melódica, rítmica e apreciável lirismo. Textos de delicadas insinuações refletem bom gosto poético, decorrendo delicadeza e esmero vernacular em que propostas subjetivas falam ao coração. Retratam a vida, seus personagens, mediante incrível poder de síntese”. Na mesma orelha, Jane Godoy, do Correio Braziliense, disse: – “Em suas 238 páginas de pura poesia, o autor conseguiu dar a ela, a poesia, uma imagem de pureza, ligeireza, leveza e beleza, que – vale confessar -, jamais vi. A cada página, uma surpresa, tal a sua originalidade e forma de fazer poesia, como a da página 114 em que se lê: “Aprendi a ser como o ipê: Quando escureço. Despido entristecido padeço; Aí é que floresço.” Até que chegamos à última página com: “Para arrumar a casa/ É preciso afastar os móveis”. O óbvio mais poético de que se tem notícia”. Luiz Gonzaga Lopes, do Caderno de Sábado do Correio do Povo de Porto Alegre, diz também: – “Petrônio Gonçalves é o mensageiro do tempo, o eu lírico que rompe dimensões físicas e espirituais para versar e versificar coisas do dia a dia, da história, um cara capaz de nominar “a faca da chama da vela/ que corta a escuridão do dia”. Alguém no mundo que se inspira em Drummond, Aleijadinho e Pessoa (este último um não mineiro), poetas e artista, mineradores da beleza, da estética, do estar no mundo, nesta vida para mais de métrica que temos para escrever. “Os meus ombros não suportam o mundo”, diz o início de um poema dos muitos do livro “Um Facho de Sol Como Cachecol” (Realejo Livros, 2015, 238p.), todos não nominados como o sol do poema do Nobel francês de Guadalupe em 1960, Saint-John Perse: “Não se nomeia o sol, mas entre nós está seu poderio”. Porém, seus ombros e seus versos dão sentido a este pequeno mas vasto mundo, do íntimo, fugaz e cruel como o tempo que aqui habitamos. Linhas que se opõem a qualquer espaço em branco, pois têm muito a dizer. A rua dele é só pensamento, tem Quintana que é daqui, tem Van Gogh que é Dalí, tem Minas e Monet, tem passado e cada trecho é para nós um presente: “O tempo fez comigo acordo nenhum” ou “O tempo é mesmo um Deus cruel”. A estrada que ele trilha tem o amor que é como uma casinha pequenina e, para o poeta Petrônio, pedra polida: “Para arrumar a casa/ É preciso afastar os móveis.” Voa só o seu pensamento e flana em bando a alma. Letras que limpam e curam nossas feridas. Poesia primazia para leitores em órbita poética”.

O autor lembra que seu livro faz uma ode ao cão de rua, quando proclama ver nos vira-latas a metáfora da poesia. São dois poemas dedicados aos cães que vagam esquecidos pelas ruas do país.

Sobre o tempo, ele lembra ainda que: “A juventude não existe mais; Aquela./ Os sonhos não existem mais; Aqueles./ A namorada não existe mais; Aquela./ No entanto, Entre o riso e o pranto,/ A vida não parou no que passou,/ Não é o vento que pousou na janela,/ A tempestade que ficou aprisionada na sala de espera./ A vida não é um lugar;/ É onde você está./ E segue sempre,/ Invariavelmente,/ Na busca da eterna primavera.” E duela com as exigências dos correr dos anos: “Óculos,/ Não!/ Isso é armação do tempo./ Não preciso de um caco de vidro/ Para enxergar melhor/ O que já está definido./ Que meus olhos nunca vejam/ O que está concluído e imposto./ Quero-os distraídos,/ Não mirando na realidade/ O meu desgosto./ Que meus olhos sempre vejam ensolarados/ Os dias nublados,/ E sempre desfocado/ O que não é principal./ Porque este/ Não precisa se ver,/ Apenas sentir.”

O livro

Com capa de Paulo Caruso, “Braço de Rio" é, em seus 237 poemas sem título, o singular e original ato de fazer poesia só como Petrônio faz. Porque, segundo o próprio autor, o “título muitas vezes já é uma síntese do poema, quando na verdade a poesia, por si só, é essa síntese; então o livro traz a primeira frase em negrito, e a síntese, a alma do poema, distribuída em seus versos”.

Vale destacar a sacada do poeta no texto que dedicou ao grande herói nacional: “Tiradentes fez da forca/ O laço com a história./ O oito em infinito/ Da mais plena glória./ Nós enxergamos pouco,/ Somos desprovidos de primaveras./ Nem sabemos,/ - Como na cruz -/ Quando o fim se cala/ No quedar da cabeça tombada,/ Que é o aceno do tempo/ Para o que está no alto/ E acabou de nascer.” Outro texto de destaque é a comum impotência dos que fazem poesia ou escreve canções, onde se percebe claramente a influência de Carlos Drummond de Andrade: “Os meus ombros não suportam o mundo./ Estão envergados,/ Envergonhados,/ Pelo fardo pesado que não sou capaz de carregar./ Fiz da minha cruz/ A madeira/ Para a fogueira/ Na lareira em que queimei/ Todas as minhas frustrações./ Na chama em que ardia/ Os meus sonhos,/ Minha alma gania,/ Meu coração nem batia,/ Apenas repetia o badalar dos segundos/ Da reencarnação./ Agora,/ Sou apenas sombra;/ O que de mim restou./ O fantasma,/ A sobra,/ O vulgar ator.”

E para fechar, o poeta demonstra toda paciência quando está à procura da palavra poética certa: no último poema do livro, na verdade, um poemeto, sintético e preciso, escreve: “Não tenho pressa/ Tenho a chave”.

O livro está disponível no site: https://www.boaviagemdistribuidora.com.br/Sinopse.aspx?id=131743

Capa do Livro, “Braço de Rio, Pedaço de Mar”
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