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20/01/2018 14:49h - Atualizado em 20/01/2018 14:52h

A UPA em coma

Por Carlos Alberto Alves

Você que já precisou, ou precisa com frequência, de usar os serviços da UPA – Unidade de Pronto Atendimento em Passos,  talvez esteja colocando em risco ainda maior a sua saúde. E não são poucos os que buscam socorro naquela unidade. Os levantamentos apontam que pelo menos 500 pessoas são atendidas por dia no local. Pois bem, documento em posse da redação do site Correio do Vale do Rio Grande (www.correiodovaledoriogrande.com.br) mostra denúncia  que foi levada ao promotor Dr. Éder da Silva Capute, curador da saúde no município.  Em cima disso, o Correio do Vale do Rio Grande preparou uma pauta encaminhada para a promotoria, com cópia para a secretária de saúde, Elexandra Bernardes.  O que nossos  leitores vão  acompanhar são os fatos que resultaram no documento que está nas mãos do promotor. Por segurança do autor a denúncia foi protocolada no MP estadual de  forma anônima e  compete a promotoria a decisão sobre a apuração ou não dos fatos apontados nela.

HORÁRIO DOS MÉDICOS TRABALHAR–  São quatro turnos possíveis: de 7h às 13h, de 13h às 19h, de 7h ÀS 19h, de 19h às 7hs. Horário em que os médicos deveriam estar no trabalho.  A maioria chega atrasado  01, 02 e até 3 horas.  São os que nunca cumprem horário.  Esta é uma das razões pela qual você espera, espera e espera. Às vezes jogam a culpa no protocolo de Manchester (representado pelas fitinhas vermelhas, amarelas e verdes). Mas a verdade, muitas vezes, está  na falta de compromisso dos médicos com o horário em que  devem  começar a trabalhar.

HORÁRIO DO ALMOÇO E JANTAR– Para os pacientes que estão na espera, aguardando por horas, eles estão  atendendo alguma emergências. Para alguns  maus acostumados doutores a hora do almoço e jantar tem que ser feita em casa ou em restaurante. A digestão é demorada. Pelo menos é que deixa antever o tempo para voltar ao serviço na UPA:  chega demorar 03 horas. Enquanto isso quem está com cólica aguarda, com dor, essa custosa digestão dos doutores  que tomaram a iniciativa de comer fora.

NO QUARTO, DESCANSANDO– Os pacientes que esperam ser atendidos têm mesmo que ter paciência. Alguns médicos têm o hábito de irem para o quarto de descanso e lá ficam por horas,  sem sofrer qualquer controle funcional que cobre o tempo certo para este descanso. A desculpa para a demora, você já sabe: estão atendendo alguma emergência ou o quadro está incompleto.

DIAGNÓSTICO SEM TOQUE– Alguns médicos, a denúncia diz ser a maioria que tem este comportamento, elaboram diagnóstico baseado apenas em exames laboratoriais, sem sequer tocar no paciente. Isto gera situações estranhas e que coloca em risco o paciente. Uma moça, estereótipo magra, com barriga proeminente, passou 7 dias indo na UPA. Nenhum médico conseguiu fazer o diagnóstico. Uma das exceções médicas apontadas como zelosas (são duas que o relatório aponta ), pediu um raio X e verificou: a moça estava no final da gravidez;  encaminhada para a Sta Casa, no mesmo dia teve seu bebê.  E você confiando que é tratado com respeito que merece, porque, pelos impostos que paga, paga os salários deles.

EM AGONIA – A observação dos pacientes acamados na UPA também parece não acontecer  a contento. O exemplo apontado no documento é de uma moça que chegou na unidade com quadro abortivo às 4:30h, já sangrando. Às 7:30h uma técnica de enfermagem deparou com o quadro e disse: “nunca vi tanto sangue assim”.  Sangue que estava espalhado pelo quarto, pelo banheiro, pela pia, pela cama. Pressão 6x4. Sem cor definida.  Sorte da moça que a outra exceção médica, apontada como de boa atuação na denúncia,  estava na UPA e conseguiu encaminhamento urgente para a Santa Casa.

CADÊ O MÉDICO– Um dia faltou médico. Acionados os responsáveis. A coordenadora da enfermagem disse não ter nada com isso. A diretora disse que ia dormir, relata o documento.  O diretor Dr. Bruno não atendeu ao telefone.  Ninguém parece ter aparecido para substituir o faltoso. Aliás, o horário de jornada do diretor clínico merece uma  investigação  criteriosa, porque parece que é  difícil  encontra-lo exercendo sua função no local. Ao contrario, dizem, não é difícil dar de cara  com ele em seu outro local de trabalho.

LABORATÓRIOS EM MÃOS ERRADAS– No laboratório de análise clinica profissionais qualificados e com cursos adequados são trocados por aqueles que não têm qualificação para tanto. A lei preconiza que todo laboratório de análise clinica precisa de um profissional qualificado para poder funcionar. Isto falta na UPA. E isto precisa ser checado. Isto, aponta a denúncia.

CHEFE DA LIMPEZA– Concursado para enfermagem, Cristian Junior  é o Chefe da Limpeza. Ele trabalha três dias por semana e não exerce atividades nos fins de semana e feriados.  Devia executar suas funções durante o dia.  Mas nos dias “acordados” começa às 19h, registra a denúncia.

PERSEGUIÇÃO A FUNCIONÁRIOS– O documento aponta que “modus operandi” da administração parece ser o da difusão do medo. Aqueles     que questionam são transferidos. O caso mais emblemático é de  Cidinha, 20 anos exercendo  funções administrativas, inclusive o chamado “faturamento”. Foi deslocada para o São Lucas.  Outros funcionários também sofreram o mesmo destino. Ou seja, deixaram a UPA, até mesmo desguarnecida de profissionais para assumir responsabilidades importantes, mandados para outras repartições ou unidades da área de saúde, como aponta a denúncia.

CONTRATAÇÃO POR CELULAR– Uma servidora, Marcilia, por mensagem de celular convida pessoas para trabalhar no laboratório à noite: “Alguém gostaria de trabalhar a noite no laboratório para ganhar hora extra...das 7 às 007”, posta a mensagem. Em seguida detalhes do serviço a ser executado: “Serviço: coletar sangue...se quiser aprende fazer exame também”. Alguém alerta: “q c tá arrumando Marcilia?”.  Ela responde:  “To arrumando alguém para ficar aqui pra colher sangue”, e segue: “A Zidiane (coordenadora na UPA)liberou”.  A mensagem, via whatssap, continuou  tratando de detalhes da função.  O serviço público, para que alguém seja admitido, exige concurso público  ou no mínimo processo seletivo.  Como que isso pode acontecer e, ainda, com a alegação de que a coordenadora liberou. Diga se não é brincar com vidas que já sofrem com alguma doença?

PRIVILÉGIOS –  Nem só de perseguição parece viver a UPA. Ao que consta da denúncia existe um profissional, que cuida da área de farmácias, teria que trabalhar à tarde, porque de manhã já existe alguém lotado para tal função, mas ele faz o período da manhã também. Para ele, aponta a denúncia,  existe  reservado, a ordem seria da própria secretária, 10 plantões noturnos no mês.  Restante poderia ser dividido entre os outros.

SITUAÇÃO PRECÁRIA E FALTA DE MATERIAL– O trabalho na UPA exige improviso, dose de sorte e muita fé em Deus.  Há, por exemplo, aponta o documento, o caso de uma água destilada que ninguém consegue abrir. É preciso, então, usar material para cortar no gargalo, próximo a tampa, para abrir o recipiente.  Há o registro de soro de  500 ml, que foram abertos para que se pudesse usar 100 ml/250 ml.  O restante era  jogado fora. Camas estragadas. ECG  estragado ao lado do consultório dos dentistas,  de onde seria exigido que se fizesse o exame, no lugar de fazer no que está dentro da UTI, conforme aponta a denúncia. Tesouras são usadas como manivelas, camas estão sem grade de proteção. O aparelho de raio X funciona, se tiver escorado, às vezes, por uma cadeira.

Opinião

A UPA precisa de intervenção

*Carlos Alberto Alves

A reportagem que o Correio do Vale do Rio Grande (www.correiodovaledoriogrande.com.br) apresenta  é a primeira de uma série que tem a intenção de  passar a limpo  o sistema de saúde em Passos. Esta é baseada numa denúncia feita ao Ministério Público no final do ano passado.  Não se sabe que providência o MP tomou. Mas nós do site encaminhamos pauta ao Dr. Éder Capute dando a ele a oportunidade de explicar à opinião pública sobre o assunto.  A mesma coisa foi feita com relação à secretária de saúde, Elexandra Bernardes, que tem pauta igual em suas mãos.

Pode ser que a essa altura do campeonato alguns reparos possam ter sido feitos na questão da infraestrutura do local. Mas este não é o ponto central. O que merece investigação é o  modo de operar diferente e a funcionalidade  ligada aos profissionais que lidam diretamente com o paciente.

Não é o caso de gritar com os médicos, nem tampouco fazer marcação pessoal nos profissionais que atuam nos laboratórios. É necessário um Plano de Gestão, baseado no desempenho, produtividade, responsabilidade e compromisso.

Nem de longe pode ser feita uma gestão que individualiza, que responsabiliza as pessoas por se posicionarem a alguma ordem. Jamais pode pensar em privilégios concedidos a quem quer que seja.

A gestão precisa ser profissional. O protocolo de Manchester existe para ordenar a fila e não para colocar o paciente de  castigo, enquanto devaneia no quarto devoluto.

Nós cidadãos  vamos à UPA para buscar ali o caminho da cura, se lá mesmo ou se transferido para a Santa Casa, não para correr risco de, em razão da falta de zelo e do trabalho não ser feito de modo correto, como parece acontecer, sair de  lá  com a situação agravada ou numa urna funerária.

Mas a culpa disso tem nome: Elexandra Bernardes, secretária de saúde. Apesar de todo seu conhecimento técnico, precisa provar que é capaz de deixar de se seduzir pelas cantilenas que beiram a fofoca e trabalhar com o objetivo de fazer a gestão de pessoas. Quem sabe assim ela deixe de ter uma equipe, passe a ter um time a seu favor e o povo todo ganhe com isso.

Agora, para que a UPA volte a ter credibilidade e o respeito do cidadão, só uma intervenção, com a participação do Conselho Municipal de Saúde, pode propor novos rumos para o seu funcionamento.

*Carlos Alberto Alves é engenheiro por formação, jornalista por opção e, agora, membro do Conselho Municipal de Saúde.