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16/11/2017 12:07h - Atualizado em 16/11/2017 12:18h

Tiro no pé

Por Carlos Alberto Alves

Na sessão de segunda-feira o debate parlamentar teve dois momentos dignos de registro, como fizemos e consta das páginas doCorreio do Vale do Rio Grande(www.correiodovaledoriogrande.com.br). O primeiro foi embate  entre Téo Lemos,  líder do prefeito, e o vereador Erick Silveira, oposição.  O líder comentou a prisão do ex-prefeito Ataíde Vilela e disse que isto era uma resposta à atual situação da prefeitura, que não tem recursos suficientes para atender as demandas na área de saúde e infraestrutura, porque  “dinheiro, muito dinheiro” havia sido “roubado do  povo”, completando disse que “a população não vai ver nos próximos três anos situação como essa”  da prisão de alto escalão que já comandou a cidade e que “esta administração é de gente honesta”, falou da tribuna.

Ato contínuo desceu, em seguida subiu Erick Silveira que denunciou privilégios de assessores do atual prefeito Renatinho Ourives, citando os secretários de Planejamento, Renato  Mohalem e da Fazenda Clever Nascimento, que estariam vendendo apartamentos em futuro condomínio no Eldorado, sem sequer ter apresentado projeto na prefeitura, para ele sinal evidente, entre outros enquadramentos, de improbidade administrativa.

O fato mostra que os políticos fizeram tanto uso do cachimbo da corrupção  que até os novatos já entram com a boca torta. Sobra ao cidadão o encargo de fiscalizar e  estar atentos a todos os passos que gestores públicos dão e acionar pelo menos quem demonstre boa vontade de ouvir.

Foi o que fizeram os moradores do Eldorado ao se socorrerem do vereador Erick Silveira, agora também já levando a denúncia ao Ministério Público.

O vereador Téo Lemos sabe disso, tanto que como cidadão, antes de ser vereador, recebeu denúncia de que algo errado ocorria com a coleta de lixo em Passos.  Tornou isso público e recebeu até ameaça de morte.

Ao defender a administração atual cumpre seu papel de líder, mas teria que  ter parado na atribuição que fez a antiga administração da precária gestão até agora feita pelo prefeito Renatinho Ourives.

Quanto pôr a mão no fogo pelos atuais gestores é temerário,  por mais honesto que possa  ser Renatinho, porque gestão pública é feita por muita gente e o que é do povo parece não ser de ninguém ficando exposto aos olhares de ambição de gente que nem sempre segue o exemplo de seu chefe, no caso  o prefeito.

Na gestão pública ser cético a tudo é a ordem, ainda mais se o papel primordial do cidadão for fiscalizar.

Tiro no pé quem deu foi a presidente da Casa (este o segundo tema), a vereadora Belinha. A título de repreender o vereador João Serapião por este ter enviado, por ofício a ela, proposta de projeto de Resolução para acabar com as diárias de viagem pagas aos veredores, chamou-o de mentiroso e de “estar jogando pela plateia”, porque, segundo ela, o encaminhamento correto não seria por ofício, mas por requerimento.

A irritação da presidente  do legislativo passense ocorreu depois que o vereador Serapíão ocupou a tribuna e, mais uma vez, pediu aos vereadores apoio a sua proposta de pôr fim as diárias de viagem dos vereadores em seus deslocamentos políticos. Ele defende  que essa é uma forma concreta de “dar exemplo” de que os homens públicos estão em sintonia com as dificuldades porque passa a população.

A proposta tem grande apelo popular e tornou o vereador referência na opinião pública, nas redes sociais e em veículos de comunicação da cidade.

Serapião, ao fazer a proposta, foi de encontro ao desejo do eleitorado, soube fazer a leitura do momento, porque não é segredo para ninguém que a população enxerga os vereadores como privilegiados.  Para essa massa vereadores ganham bem, trabalham uma vez por semana e quando viajam tem todas as despesas pagas com dinheiro público, inclusive a viagem, muitas delas, é feita em carro oficial.

Poucas pessoas informadas sabem que não é bem assim. Mas explica isso para quem fica na UPA esperando mais de quatro horas para ter atendimento.

Tenta fazer a mesma coisa para uma mãe que leva seu filho para um PSF e lá não encontra a enfermeira e nem a vacina que precisa.

Convença quem vai ao São Lucas na farmácia básica buscar remédios de uso contínuo e encontra a prateleira  vazia.

Depois diga que você, vereador, representa esse povo que vive esta mísera, situação na Câmara.

Caro vereador, explica que você precisa desse dinheiro porque seu subsídio não dá para cobrir todas as despesas.  Diz ao eleitor que você tem o subsidio como salário, embora a palavra, no sentido lato, queira dizer recurso concedido para ajudar em algo (Subsídio é um auxílio, uma ajuda, um aporte, um benefício.) e não salário.

É por ter dado um sinal de que compreende as dificuldades que o povo passa que o vereador Serapião alcançou boa popularidade, que dá para perceber mesmo sem qualquer pesquisa de opinião.

Construir imagem publica e destruí-la faz parte do  jogo  democrático e politíco.  O que é inadmissível é partir para o ataque que beira a falta de decoro parlamentar, como fez Belinha ao chamar o vereador de mentiroso.

Mentiroso ele não é. A vereadora tem em suas mãos o oficio com a proposta de projeto de Resolução. A questão do encaminhamento é outra coisa.

Se Belinha quis destruir a boa imagem que o vereador João Serapião desfruta perante o eleitorado,nesse momento,  deu um tiro no pé e parece que na câmara tem muitos querendo acompanha-la negando apoio à proposta de grande aceitação no seio da comunidade

*Carlos Alberto Alvesé engenheiro por formação  e jornalista por opção